Serei o teu porto seguro

– Serei o teu porto seguro.
– O que é que isso significa?
– Precisas de um lugar onde não precises de ser tu. Onde não precises de decidir tudo sozinha e alcançares o que os outros esperam de ti. Precisas de um lugar onde possas desmoronar.
Eu serei esse lugar. Sempre que precisares. Para a eternidade.

(Isa Mestre)

O essencial permanece intacto na distância

A amizade é a aceitação positiva do limite. Chega um momento em que vais para tua casa e eu para a minha e isso não representa nenhum drama.

Pelo contrário, sabemos que nos havemos de reencontrar; que, não nos vendo, não nos perdemos de vista; que o essencial permanece intacto na distância.

(José Tolentino Mendonça, in Nenhum Caminho será Longo)

Caminha apenas a meu lado

Não caminhes na minha frente, pois não posso seguir-te. Não caminhes atrás de mim, pois não posso guiar-te. Caminha apenas a meu lado e sê meu amigo.

(Autor desconhecido)

O que faz da Terra um jardim habitado

Conhecer alguém aqui e ali que pensa e sente como nós, e que embora distante, está perto em espírito, eis o que faz da Terra um jardim habitado.

(Goethe)

Os amigos que se fazem na montanha

Os amigos que se fazem na montanha duram para sempre: nasceram da magra ração repartida debaixo das estrelas, de se apoiarem uns aos outros quando o que estava em jogo era a vida ou a morte, de cantarem juntos, das longas confidências testemunhadas apenas pelo vento.

(Paulo Geraldo)

Se me achasse indigno de chorar com ele

Se, depois de eu sair [da prisão], um amigo meu desse uma festa e não me convidasse, eu não me importaria nada. Sou perfeitamente capaz de ser feliz sozinho. Tendo liberdade, livros, flores, e a lua, quem poderia não ser feliz?

Além disso, já não estou muito para festas. Já avancei demasiado para me preocupar com elas. Esse lado da vida acabou para mim, e atrevo-me a dizer que ainda bem.

Mas depois de eu sair, um amigo meu tivesse uma dor, e se recusasse a permitir-me partilhá-la com ele, senti-lo-ia com muita amargura. Se ele me fechasse na cara as portas da casa do luto, eu voltaria uma vez e outra e pediria para ser admitido, para poder partilhar aquilo que tinha o direito de partilhar.

Se ele me achasse indigno, incapaz de chorar com ele, senti-lo-ia como a mais pungente humilhação, como o mais terrível modo de a desgraça me ser infligida.

Mas isso nunca aconteceria. Eu tenho o direito de partilhar a Dor, e aquele que é capaz de olhar para os encantos do mundo, e partilhar a sua dor, e compreender um pouco a maravilha de ambos, está em contacto directo com as coisas divinas, e chegou tão perto do segredo de Deus quanto alguém pode estar.

(Oscar Wilde, in De Profundis)