Aqueles que não são bons nem maus

De que mediocridade estou falando? Da mediocridade daqueles que não são bons nem maus; daqueles que mais se limitam a sobreviver que a viver; daqueles que não têm ilusões, nem esperanças e nunca aspiram a melhorar; de todos aqueles que abaixam o que é elevado e preferem rastejar a escalar; daqueles que desprezam tudo o que não está ao seu alcance e investem – como dizia Machado – contra tudo o que não entendem; dos que intelectualmente se alimentam de lugares comuns e nunca saem deles; dos que só dizem inutilidades; de todos aqueles que vivem desalentados porque se entregaram à rotina.

(José Luis Martin Descalzo)

Resultados que permanecem

Somos, em certo aspecto, como um elástico, porque podemos dar mais de nós. Mas como um elástico que depois de ser esticado mantivesse as novas dimensões, entretanto adquiridas. Porque os nossos esforços dão em nós resultados que permanecem.

(Paulo Geraldo)

Teremos, apenas, aparências de homens

Para que servem os músculos, quando chegar a hora de haver um cancro nesses músculos? Para que serve, sozinha, a inteligência, se ela, como lhe compete, nos mostrar um caminho que, por não termos coragem nem força de vontade, somos incapazes de seguir? Que é feito da beleza quando se envelhece? Sem os valores humanos, sem as virtudes humanas, andamos pela rama. Teremos, apenas, aparências de homens, projectos humanos inacabados, fracassos existenciais comprováveis na hora da verdade.

(Paulo Geraldo)

Como com os nossos antepassados

A vida moderna ofereceu-nos muitas facilidades: simplificou certas tarefas. No entanto, no que diz respeito aos nossos comportamentos, carácter, virtudes – à nossa qualidade enquanto pessoas – tudo continua a passar-se como com os nossos antepassados. Continua a ser difícil ser-se honesto, trabalhador, bom marido, boa mãe; o amor e a amizade continuam a ser tarefas exigentíssimas.

(Paulo Geraldo)

Um carácter inesquecível

Para que o carácter de um ser humano revele qualidades realmente excepcionais, é preciso ter a sorte de poder observar as suas acções ao longo de muitos anos. Se tais acções são desprovidas de todo o egoísmo, se o ideal que as dirige é de uma generosidade ímpar, se é absolutamente certo que não procuraram qualquer recompensa e se, além disso, deixaram marcas visíveis no mundo, estamos então, sem sombra de dúvida, perante um carácter inesquecível.

(Jean Giono)