Encontrei, entre os que sofrem, homens grandes

Mas eu já vi os cegos rirem.
Encontrei, entre os que sofrem, homens grandes. Os maiores de todos.
Vi aqueles que fizeram da sua dor os poemas que lemos na escola. E os outros, que no sofrimento do exílio compuseram as sinfonias grandiosas que ficaram para sempre.
Inclinei-me perante esses que souberam aceitar a sua pequenez diante do Deus Criador, ou da sábia natureza – conforme o olhar de cada um – e por esse caminho encontraram a maneira de alcançar a grandeza.

(Paulo Geraldo)

Uma doença sem dores

É certo: a maioria escorrega muito mais pela encosta da vulgaridade do que pela do mal. Muitos iniciaram a sua juventude cheios de sonhos, projectos, planos, metas que pretendiam conquistar. Mas depressa chegaram os primeiros fracassos, ou descobriram que a senda da vida plena é íngreme, que a maioria estava tranquila na sua mediocridade e decidiram balir com os cordeiros.

Porque o grande mal da mediocridade é que se trata de uma enfermidade sem dores, sem sintomas muito visíveis. Os medíocres são ou parecem, se não felizes, pelo menos, tranquilos.

(José Luis Martin Descalzo)

Para acordar um mundo surdo

Deus segreda-nos nos nossos prazeres, fala connosco na nossa consciência, mas grita-nos nas nossas dores: são o Seu megafone para acordar um mundo surdo.

(C. S. Lewis)

É bom tudo o que se realiza

O que é importante, o que permanece diante de mim, aquilo que eu tenho que fazer, a não ser que queira permanecer, durante os poucos dias que me restam, estropiado, desfigurado e incompleto, é absorver na minha natureza tudo aquilo que me fizeram, fazer disso uma parte de mim, aceitá-lo sem queixas, medo ou relutância. É bom tudo o que se realiza.

(Oscar Wilde, in De Profundis)