É como o tolo no meio da ponte. Vai para um lado, vai para o outro, e não se decide. Para decidir é preciso motivações claras e a capacidade de deixar algo, isto é, liberdade interior para romper com alguma coisa em favor de outra. Escolher os dois lados ao mesmo tempo é que não é possível. Só escolhe quem sabe perder.
(Vasco P. Magalhães)
É muito oportuno explicar que um animal pode viver bem deixando-se arrastar pelos seus instintos — mas o homem não. O homem é um ser especial porque é um ser livre. Precisa de ser educado para viver de acordo com aquilo que é. Nem tudo o que ele pode fazer — roubar, mentir, drogar-se — ele deve fazê-lo. Não porque não seja livre, mas porque não lhe convém. Não se pode confundir — e muitas vezes confunde-se — a liberdade com a espontaneidade. O homem, para agir bem, deve pensar antes de actuar — coisa que os animais não fazem.
Por isso, a educação moral não tira nem diminui a liberdade do homem — muito pelo contrário! Dá-lhe luz para que — se ele quiser — possa viver de acordo com aquilo que é. É verdade que o saber moral é difícil e delicado. Mas também é verdade que vale a pena esforçar-se por obtê-lo. Porquê? Porque é o saber mais valioso para o homem. É o saber que o ensina a usar bem a sua liberdade.
(Rodrigo Lynce de Faria)
O homem que reconhece lealmente que se enganou, ou mais simplesmente que não sabe tudo, prestigia-se de modo singular. E por acréscimo, conquista, conquistando-se assim a si próprio, uma magnífica independência. Só nisso está a verdadeira liberdade: Ser escravo dum homem é duro, mas ser escravo de si próprio é pior ainda.
(De La Porte du Theil)
Não devemos ter pena do que “perdemos” quando escolhemos, pois isso faz parte da natureza da liberdade. Cada vez que escolhemos algo, sacrificamos as outras possibilidades. No fundo, sermos livres quer dizer que temos alguma autonomia para escolhermos de que forma vamos renunciar a passar a vida fazendo tudo aquilo que nos apeteça.
(Paulo Geraldo)
A nossa liberdade não é absoluta. Quando viemos ao mundo, ele já existia, com as suas leis, as outras pessoas, etc. Temos uma liberdade condicionada por tudo o que existe além de nós.
(Juan Luis Lorda)
No homem há uma liberdade que se vê (fazer o que se quer, ir de um lado para o outro, etc.) e uma que não se vê, a liberdade interior, que deriva do facto de não se ter impedimentos interiores para exercitar a nossa consciência e de actuar de acordo com ela.
Os obstáculos interiores são a ignorância e a fraqueza. O que não sabe o que tem de fazer só tem liberdade para errar, mas não para acertar. E aquele que é fraco, deixa que a desordem dos seus sentimentos ou a coacção externa lhe arrebatem a liberdade.
(Juan Luis Lorda)